Entenda o padrão de entrada de energia

O projeto elétrico de uma edificação pode ser dividido em dois aspectos: as instalações elétricas internas e a tomada de energia, isto é, o padrão de entrada de energia junto à edificação a partir da rede básica de energia elétrica.

Mas qual é o mistério acerca do padrão de entrada de energia?

Bem, começando pelo básico, podemos ter o padrão de entrada monofásico e trifásico.

O monofásico é o mais elementar e utilizado para ligação de energia juntos às residências, concebendo a energização da unidade consumidora por derivação de uma fase e o neutro da rede secundária da concessionária. Tudo que concerne a ele é mais simples – instalação, medição e proteção – além de a infraestrutura para sua implementação  – poste residencial, cabos e caixa de medição – ser de menores dimensões e menos custosa. A maioria das concessionárias, então, dispensa a análise prévia de projeto de padrão de entrada monofásica, cabendo ao titular solicitar uma ligação nova, submetendo o quadro de carga instalada da residência.

O padrão trifásico, por sua vez, eleva o grau de complexidade de instalação, uma vez que este concebe a topologia de energização de uma unidade consumidora por intermédio de 3 fases e o neutro da rede secundária da concessionária. A motivação para a utilização desta topologia é capacidade de entregar mais potência a uma edificação com menos material. Por exemplo, uma unidade consumidora que tenha uma demanda de 75 kW – tipicamente este é o limite de potência para unidades alimentadas pela rede de baixa tensão – drenaria uma corrente elétrica de 340 A, enquanto que a mesma unidade consumidora alimentada por um padrão drenaria um terço desta corrente em cada fase, isto é, 113 A.

Naturalmente, esta infraestrutura sequer medidores e dispositivos de proteção compatíveis como medidor trifásico, disjuntor trifásico e 3 DPS monopolares para cada fase. Certamente tem um custo de implementação maior, mas trata-se do ônus de uma infraestrutura capaz de fornecer mais potência a uma unidade consumidora que apresenta uma carga instalada de maior porte. O interessante aqui é que para solicitar este tipo de padrão deve-se justificar a necessidade – apresentando relação de carga instalada, por exemplo – e se a concessionária entender que não há necessidade do padrão trifásico, o proprietário, se fizer questão da instalação do padrão trifásico, deverá arcar com a diferença de preço do medidor trifásico em relação ao medidor monofásico – cabe lembrar que o medidor monofásico ou trifásico é de propriedade da concessionária, sempre.

Para as instalações de padrões de natureza trifásica, dependendo a demanda provável ou carga instalada, pelo ser exigido pela concessionária um projeto de padrão de entrada trifásica, especificando dimensionamento de condutores, conexões, proteção e infraestrutura de sustentação.

Assim, é sempre importante o conhecimento proeminente, por parte do seu eletricista e engenheiro eletricista responsável por projeto e execução, das normas vigentes, não apenas àquelas da ABNT como NBR 5410. É preciso levar em consideração as normas das próprias concessionárias, que por si só são sempre pautadas nas normas vigentes nacionais e internacionais.

E não se esqueça de exigir a ART – anotação de responsabilidade técnica – do profissional responsável pela sua obra, tanto de projeto quanto de execução de obra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *